1.06.2006

Querido anónimo

A propósito do seu comentário ao post Bruxos e Bruxedos, integrado nas Estórias Mal Contadas, proponho-me, com muito gosto, esclarecê-lo porque escrevi Estorias em vez de Histórias.

Há uns anos a esta parte, os historiadores passaram a distinguir a História como "ciência dos homens no tempo" (Marc Bloch) daquilo que se conta como acontecimentos banais, ficção ou simplesmente contos (estórias).

1.01.2006

Memórias de Noites de São Silvestre:

“Está quase a cair o ano Velho e vai começar um novo! ” – Ouve-se nos noticiários a todo o momento. Nas Têvês vêem-se os preparativos para as festas que se sucedem em catadupa, vestuário, penteados e acessórios deslumbrantes e, no ar paira muita exaltação. Eu sei bem do que falo porque já vivi por tantas etapas na vida e recordo como era comovente beijar o nosso companheiro ao som do Hino da Alegria.
Mas infelizmente é tudo uma ilusão, porque a vida é feita de acontecimentos oscilatórios e nunca rectilíneos, certinhos de acordo com as nossas previsões e anseios.
Resumindo aí vem um lugar comum: Outrora levantava-me cansada da ressaca, mas era um cansaço saudável, bem disposto. Agora comem-se uns bolinhos em família, brinda-se com espumante e acorda-se de rastos porque A IDADE DÁ SABEDORIA, MAS NÃO PERDOA e vamos à vida…

9.16.2005

Bruxas e bruxedos


Dizem que não existem bruxas, mas se estas saíram do planeta, decerto outros seres vieram inquietar-nos em seu lugar. Faço tal afirmação porque desde há alguns anos para cá, o meu maior desejo era a aposentação. Porém 2 anos antes da mesma, a minha vida virou-se de "pernas para o ar".
Eu explico.
Nesses tais 2 anos por motivo de doença dos pais andei entre Lisboa e Açores de modo a dar a maior assistência possível a esses meus queridos. E aí começaram as desgraças: Num só mês emagreci 20 quilos, convencendo todos que me tinha tornado anoréctica; dei uma queda de barriga para baixo a acompanhar a doença do meu pai em situações muito dramáticas e, lá sofri uma operação à mama para extrair um nódulo, felizmente resultante dessa queda.

Doutra vez, num dia em que cheguei a Lisboa, acabei por passar a noite no hospital porque urinava algo muito parecido com leite. Até agora ainda não sei bem o que se passou!
Mas as coisas não pararam por aqui. Perdi os meus Pais, caí de uma escada agarrada a um balde e a uma "esfregona"… que doeu muito (isto porque sou dependente das limpezas); desmaiei durante a noite na cozinha, acordando com um "galo" e um golpe na testa; rolei frequentes vezes nas rampas que tenho no jardim da minha casa também para as por muito lindas e limpas, dando cabo dos ossos e da cabeça (muitos "galos") E… numa dessas actividades desequilibrei-me do muro que delimita a minha casa, caindo mais ou menos de 1.60m de altura, em posição de pino para a rua provocando-me um pequeno desmaio, uma rápida amnésia e por fim uma tarde no hospital onde me coseram a cabeça e outras coisas mais.

Numa outra ida a Lisboa fui atropelada por uma jovem. Sobrevivi, mas sem dentes e, lá fui eu para clínicas etc. etc.

Finalmente, quando ia entregar um carro para aquisição de um novo, dei comigo em cima de passeios a rodar sobre arbustos, a chocar em candeeiros, a passar para o lado oposto da rotunda que ia tentar fazer, a subir um triângulo separador e por fim o carro terminou as suas funções embatendo num poste de sinalização que o imobilizou de uma vez por todas. Tratou-se como adivinham de um despiste, por ter passado por cima de uma considerável quantidade de milho, que uma transportadora de rações para animais negligentemente ia dando cabo de mim. Saí ilesa, mas sem qualquer compartição da empresa, por falta de testemunhas do derrame e sem o meu carrinho. Mas pronto já passou.

Parece que há bruxedos no ar, não acham???

9.15.2005

POMPA E CIRCUNSTÂNCIAS


Para melhor compreensão da estória que vou relatar-vos, penso ser conveniente referir que sou do signo Leão. Confesso que nada entendo de Astrologia, mas é voz corrente que os leões são entre outras coisas vaidosos, amam a beleza e o luxo e até gostam de dar nas vistas…De facto muitas das coisas que se dizem desse signo até batem certo comigo.

Estávamos na década de 50, quando conheci um jovem, íntimo amigo de uma amiga minha. Eu tinha apenas 13 para 14 anos e, ele andava a terminar a sua licenciatura. Evidentemente que não só a diferença de idades era grande, mas maior ainda era a discrepância de culturas. Para mim ele logo se transformara num sábio, lindo de morrer e eu a morrer de amores por ele.
Como tudo isso se passou “naquele tempo”, as meninas não deviam manifestar, em público ou em privado as suas simpatias amorosas, isto é, caía muito mal ser-se atiradiça.

Aconteceu que a nossa amiga comum estava para casar e nos preparativos ficou assente que eu iria para a Igreja no carro do TAL. Eu convenci-me de que as coisas estavam no bom caminho e tive todo o cuidado em ir arranjada pois o casamento estava a ser muito badalado.

Vejam o que me aconteceu: agitada pelos acontecimentos e pelos nervos, quando junto à Igreja, pilhada de gente ao seu redor, o meu amigo parou o carro para eu descer enquanto ia procurar um estacionamento, a primeira coisa que fiz foi, num gesto inusitado, bater com a cabeça no retroprojector que se partiu em 3 e depois de abrir a porta do automóvel preparando-me para sair airosamente caiu-me o sapatinho de salto alto para quase debaixo do carro e, lá andei coxinha até conseguir calçá-lo de novo. QUE VERGONHA…E QUE POMPA!!!

9.14.2005

Cabeça no ar


Em tempos que já lá vão, quando eu vinha de Lisboa, em períodos de férias, tinha por hábito de encher as malas com a "Fashion" daquele ano e, levada por esse entusiasmo a bagagem, em breve, excedia o devido. Então vinha eu, porque ainda era permitido, com bagagem de mão que quase ultrapassava o peso da mala.

Escusado será dizer o sofrimento que acumulava até chegar à "porta de embarque" e de lá até ao avião, depois percorrer corredores, descer escadas, subir o degrau que me parecia altíssimo da carrinha que nos conduzia ao avião e, por estar tão carregada, ia ficando para trás e consequentemente esse trajecto fazia-o em pé, agarrada aos sacos e ora tombando para um senhor, ou para uma senhora.

Mas um dia a coisa correu pior, quando acabei de subir o calvário das escadas do avião o cansaço era tal que atingia a alma e parece-me que também os olhos, porque quando vislumbrei o meu lugar arrumei os sacos na bagageira, como mandam as normas, mas já não consegui atingir o lugar junto da janela que me estava reservado e, refastelei-me esgotadíssima no colo do passageiro que, ao meu lado, acompanhou-me nessa viagem. Pedi-lhe muitas desculpas, mas até hoje gostaria de saber o que teria ele conjecturado dessa cabecinha no ar!!!

9.13.2005

Latim e latinidades


Desde que terminei os meus estudos superiores e me tornei professora de carreira, passei a sonhar até à data, em que já conquistei a aposentação, que estava permanentemente a fazer provas de exame no Liceu que frequentara. Confesso que nunca entendi tal preocupação, mas nem tem importância nenhuma, porque a interpretação de sonhos não é uma área que domine…

Pensando nestes sonhos, a minha memória levou-me ao 6º ano (hoje corresponderia ao 10º ano) do dito Liceu, onde pertenci à única turma de Letras que então havia (pois sou natural de S. Miguel - Açores). Nesse ano os alunos de Letras iniciavam os seus estudos de Latim, que se tornou para mim uma verdadeira disciplina de eleição, porque através dela percebi finalmente todos os mecanismos da gramática portuguesa.

Entretanto um grupo de colegas a verificarem a Selecta Latina, antes de termos uma única aula de Latim, deu-se conta de um texto cujo título era: “Margarita ad pullos” e logo traduzimos com muitas risadas que iríamos estudar um texto latino da “Margarida aos pulos”.

Afinal amigos, o título significava “Pérolas a Galinhas”. Era um documento sério, moralista e crítico, Hoje em dia, esse título deu lugar ao adágio “Deitar pérolas a porcos”. Parafraseando o saudoso Fernando Pessa só me resta o seguinte comentário: E esta hein?!?

9.08.2005

Frutos proibidos


Como é bom ser rico.
Fugir aos impostos.
Escapar das multas.
Viajar em 1ª classe e conhecer o mundo em cruzeiros.
Ser VIP sem realeza.
Frequentar os melhores hotéis e restaurantes.
Possuir carros de alta cilindrada.
Morar em mansões, palácios e castelos.
Deve-se, mas não importa!
O melhor é parecer do que ser.
Como é fácil viver!

Mas tudo isto é que constituem frutos proibidos?

Sim, mas só para alguns.

No meu caso, os frutos dão sempre boas sementes.